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AgriMinas apresenta ao mercado produtos da agricultura familiar
        Setor responde por 70% dos produtos da cesta básica.

Após três bem-sucedidas edições, a Fetaemg, realiza em Belo Horizonte, de 14 a 16 de agosto, a IV Feira da Agricultura Familiar de Minas Gerais (AgriMinas). Durante três dias o público da capital mineira poderá conhecer, degustar e adquirir itens de uma diversificada lista de produtos da agricultura familiar e de áreas de assentamentos de reforma agrária no Estado. Uma lista que inclui produtos alimentícios como queijos, biscoitos, mel, doces, licores e cachaças. Para esse ano, a Fetaemg promete presença maior de produtores dos artigos que fazem parte do cardápio diário do brasileiro como arroz, feijão, açúcar, fubá, farinhas e café. E ainda, produtos do extrativismo como castanha de baru, polpa, licor e óleo de pequi. O artesanato rural em palha de milho e de banana, couro, poedras, cabaças, cerâmica e bambu também estarão à venda durante a feira. Participam 110 empreendimentos  procedentes de 73 municípios de Minas.

 

70% da cesta básica - Ao instalar na região central da capital mineira uma verdadeira ilha com produtos originados do campo, a Fetaemg divulga a produção da agricultura familiar para os consumidores urbanos e, especialmente, para as empresas de atacado e varejo, “de olho em novos nichos de mercado e negócios para a produção familiar”, explica o presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva. Para isso, o dirigente conta com os indicadores que posicionam a agricultura familiar como responsável pelo abastecimento de cerca de 70% dos produtos da cesta básica dos brasileiros, de acordo com o Censo Agropecuário de 1995/1996. Nessa lista estão a mandioca, onde a agricultura familiar responde por  84% da produção, feijão (67%), suínos (58%),  leite (52%), milho (49%), aves e ovos (40%),  café (30%) e arroz (31%). “A Agriminas mostra ao mercado a variedade e a qualidade da produção agrícola familiar. È oportunidade para conhecer as coisas boas do campo, com muitos produtos orgânicos”, diz. 

 Burocracia - Silva diz que a  produção da agricultura familiar vem crescendo a cada ano, “mas não na velocidade que gostaríamos, pelo potencial que tem o setor”. E cita entraves como a burocracia brasileira, especialmente “dentro das agências bancárias, na liberação de recursos e no financiamento de máquinas agrícolas para a agroindústria”, entre outros.  O dirigente é confiante, no entanto, ao afirmar que “ a agricultura familiar é e será a grande protagonista na produção de alimentos para superar o déficit alimentar da população”. E explica que "se todo brasileiro fizer duas refeições por dia, a produção nacional não tem hoje, condições de atender plenamente a essa demanda".

 Pronaf e merenda escolar -  Dois importantes instrumentos para a valorização e crescimento da agricultura familiar no Brasil foram implantados recentemente pelo governo federal, de acordo com o presidente da Fetaemg. O primeiro foi a liberação pelo Pronaf , no dia 22 deste mês, de R$ 15 bilhões para financiar o custeio e o investimento na agricultura familiar em todo o país na safra 2009/2010.   

Outro incentivo  foi a edição da Lei 11.947, de 16 de junho de 2009, pela qual as prefeituras municipais poderão adquirir, no mínimo, 30% dos produtos da agricultura familiar destinados à merenda escolar. “A lei é boa, mas para que seja colocada em prática, será necessário mobilizarmos as associações de produtores e sindicatos de trabalhadores rurais no sentido de mostrarmos aos prefeitos que adquirindo os produtos da agricultura familiar vão contribuir para que a receita permaneça nos  próprios municípios, gerando emprego e renda”, prevê Silva.