O projeto cultural de artesãs de assentamentos do Noroeste de Minas Gerais vai se tornar neste ano Ponto de Cultura. Foram mais de 460 projetos apresentados em Minas Gerais, e o da Associação das Artesãs e Tecelãs de Natalândia (MG) - Fio Ação - está entre os 100 aprovados. A Associação poderá investir R$ 180 mil, em três anos, para desenvolvimento de ações culturais.
A Fio Ação reúne mais de 50 mulheres que tecem e bordam como forma de aumentar a renda familiar. Criada nos assentamentos Mamoneira, Mangal e Saco do Rio Preto há quatro anos, mulheres das cidades próximas logo aderiram ao grupo. As fiandeiras produzem colchas, tapetes, bolsas e bordam camisetas, capas de almofada e quadros com temas da região, como a flor do pequi e o pé de sucupira.
Com o projeto, as artesãs pretendem fortalecer o resgate da fiação e da tecelagem. “Vamos pegar senhoras que estão jogadas no canto da vida e ajudar a voltarem a trabalhar com o que sempre foi delas”, conta a presidente da associação, Maria Ferreira dos Santos Lima.
As artesãs também querem apoiar outras iniciativas culturais, valorizar grupos folclóricos, danças típicas, como folias de reis, do divino, catira e a capoeira. “Queremos envolver toda comunidade. Nosso foco maior é a juventude. Tirar os jovens das ruas e incentivar a cultura”, conta Maria Ferreira.
A articuladora da associação e agente de desenvolvimento, Simone Amorim de Souza, conta os planos para investir os primeiros R$ 25 mil. “Vamos comprar computador, colocar internet, câmera digital e outros equipamentos multimídia”, planeja Simone. O grupo trabalha em um galpão cedido pela prefeitura de Natalândia. Agora, discutirão com a prefeitura uma nova parceria para trabalharem também em um espaço no centro da cidade, onde farão outras atividades como aulas de tecelagem, de dança e de música.
O programa Pontos de Cultura é uma iniciativa conjunta do programa Mais Cultura do Ministério da Cultura (MinC) e do Governo de Minas Gerais e uma das ações do Governo Federal executadas nos Territórios da Cidadania. O repasse de recursos é feito em três parcelas de R$ 60 mil, ao longo de três anos. A primeira parcela é entregue ainda em 2009 após assinatura do convênio.