Com o objetivo de identificar as principais dificuldades na luta pela terra a Fetaemg realizou em Belo Horizonte, nos dias 03 e 04 de outubro, um seminário com a participação dos diretores dos Pólos Regionais da Zona da Mata, Grande BH, Sul de Minas e Rio Doce, além de representantes dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais dessas regiões. Conforme a diretora de Política Agrária e Meio Ambiente/Fetaemg, Eliene Aparecida Ribeiro, a Fetaemg pretende realizar seis seminários em todo o Estado para levantar as principais ações que deverão ser executadas pela Federação.
Na opinião da diretora, “principalmente em 2007, praticamente não houve desapropriação de terras para fins de reforma agrária e nenhuma vistoria. Em Minas Gerais, infelizmente, tivemos um retrocesso muito grande”. As regiões Norte, Noroeste, Jequitinhonha, Mucuri e Triângulo, segundo a diretora, são as que têm maior quantidade de acampamentos. “Os maiores problemas estão nestas quatro regiões”, ressalta. A diretora explica que muitas famílias estão há sete anos acampadas, vivendo em barracos de lona. Na sua opinião falta uma ação efetiva do Incra para resolver casos como esse. “Infelizmente hoje nós passamos por uma dificuldade muito grande dentro do Incra. Temos problemas em relação às vistorias, à recursos financeiros, recurso humano e técnico e o maior entrave que a gente acha é a questão do índice de produtividade – os grandes proprietários maquiam suas áreas e por isso existe grande dificuldade de fazer vistorias por se tornaram médias e pequenas propriedades”, explica.
Para o presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva, para se fazer reforma agrária no país é preciso deixar de lado o discurso ideológico como muitos governantes vem tratando do assunto e passar a ter ação de verdade, e vontade. “Os governantes precisam conhecer a realidade de perto para perceber o sofrimento de famílias que vivem anos em acampamentos, debaixo de barracos de lona”. O presidente ressaltou que é preciso fazer uma reforma agrária de forma organizada que ofereça condições para as famílias se auto-sustentarem. “Hoje muitos assentamentos, como em Campina Verde que participou da AgriMinas/2007, conseguem mostrar que são organizados e são capazes de gerar renda e emprego no campo”. explica.
O agricultor Dourival Gomes é um exemplo de que os assentamentos de reforma agrária dão certo. Ele veio do Vale do Jequtinhonha e vive no Assentamento Dom Orione, em Betim, onde moram cerca de 39 famílias. Elas vivem principalmente do cultivo de hortas que comercializam na Ceasa e já têm maquinário próprio para ajudar nas atividades. “A reforma agrária é viável. As famílias estão conseguindo sobreviver e melhorando suas condições de vida”, afirma Dourival.
Conforme dados de um documento elaborado pelo Departamento de Política Agrícola e Ambiental da Fetaemg sobre as questões agrárias no Brasil e em Minas Gerais, na região Noroeste de Minas Gerais estão concentrados 36% dos Projetos de Assentamentos do Estado. Em segundo lugar vem o Norte, com 25%, e em terceiro, o Jequitinhonha e Mucuri, com 13%.