Movimento Sindical em MG busca unificar convenções coletivas no Estado para o trabalhador do corte da cana

Dirigentes sindicais tiveram a oportunidade de discutir a situação dos cortadores de cana durante um encontro que aconteceu, em 13 e 14 de março, em Belo Horizonte e reuniu a direção e a assessoria da Fetaemg, Contag, além de representantes da Fundacentro e da Fetraminas. O foco das discussões foi para a necessidade de se construir uma pauta unificada de reivindicações para a negociação coletiva em todo o Estado. De acordo com a diretora de Políticas Salariais da Fetaemg, Aparecida da Penha, a intenção de se construir uma pauta unificada no Estado surgiu a partir de um encontro em Uberaba que reuniu representantes dos trabalhadores rurais e usineiros.

A reunião teve início com a apresentação de uma pesquisa sobre as condições de trabalho no corte da cana. Realizada pela Fetaemg, Fundacentro e Siamig a pesquisa concluiu que as ações de segurança e saúde são insuficientes para evitar riscos aos trabalhadores. Dos trabalhadores entrevistados uma média de 50% já se acidentou no corte da cana.  Entre os principais resultados da pesquisa o ganho por produção é a forma preferida pelos cortadores de cana. Conforme o técnico da Fundacentro, Pedro Zuchi, esse é um dado preocupante, já que muitos trabalhadores acabam se excedendo para produzir mais e conseqüentemente ganhar mais. “O corte da cana é um trabalho penoso com risco de lesões. Da forma que é conduzido, a gente acha muito difícil melhorar as condições de trabalho quando se tem o pagamento por produtividade”, afirma.

Atualmente o trabalhador ganha em média R$ 3,50 por tonelada de cana cortada. Numa situação normal ele consegue cortar por dia 10 toneladas de cana para ganhar trinta e cinco reais. Só que muitos trabalhadores querem ganhar mais e excedem o próprio limite físico. E em alguns casos, como já aconteceu em São Paulo morrem por exaustão.  O secretário de Assalariados e Assalariadas da Contag, Antônio Lucas, afirma que a Convenção Coletiva Unificada pode ser uma alternativa interessante para diminuir o sofrimento do trabalhador. “O Sindicato ao fazer a negociação individual ele também se individualiza na luta. É importante que os Sindicatos se mobilizem para fazer uma negociação estadual porque se o Movimento não buscar isso vai ser difícil mudar algumas questões que hoje estão prejudicando os trabalhadores”.

Durante o encontro ainda foram discutidas as questões legais e administrativas no processo das negociações, além de sugestões para a construção da pauta unificada e eleição da comissão de lideranças nas negociações coletivas.