Nos dias 21 e 22 de agosto, Brasília receberá cerca
de 50 mil mulheres para a Marcha das Margaridas/2007. De Minas Gerais seguirá
uma caravana com aproximadamente três mil mulheres. Este ano, a mobilização tem
como lema "duas mil e sete razões para marchar" e tem como temas
centrais soberania e segurança alimentar e nutricional; terra, água e
agroecologia; trabalho, renda e economia solidária; garantia de emprego e
melhores condições de vida para as assalariadas rurais; política de valorização
do salário mínimo; defesa da saúde pública e educação no campo e combate à
violência sexista.
Em
21 de agosto está prevista a abertura política do evento. Também neste dia
acontecerão as conferências temáticas e a feira de troca e comercialização de
produtos. No dia 22, as trabalhadoras rurais marcharão na Esplanada dos
Ministérios.
Além de um ato político de reivindicação, a mobilização é considerada importante marco na trajetória de lutas sindical e feminista, pois traduz o crescente amadurecimento político da organização das mulheres trabalhadoras rurais no Brasil. A primeira Marcha ocorreu em 2000 e a segunda em 2003. A grande capacidade de organização e força política das trabalhadoras rurais é a responsável pela realização da Marcha, que leva à capital do País pauta com reivindicações específicas das mulheres e questões de interesse geral da categoria.
A
Marcha é organizada pela Contag e CUT e conta com a parceria do Movimento de
Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste, Movimento Interestadual das
Quebradeiras de Côco Babaçu, Movimento de Mulheres da Amazônia, Marcha Mundial
das Mulheres e a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe.
A
marcha das mulheres trabalhadoras rurais recebeu o nome de MARCHA DAS
MARGARIDAS em homenagem à ex-líder sindical, Margarida Maria Alves. Ela foi
assassinada em 1983, na porta de sua casa, por latifundiários do Grupo Várzea,
na cidade de Alagoa Grande, Paraíba. Margarida Maria Alves era Presidente do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, e fundadora do
Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. Ela obteve grande destaque
na região por incentivar os trabalhadores rurais a buscarem na Justiça a
garantia dos seus direitos protegidos pela legislação trabalhista. À época do
assassinato de Margarida Alves, foram movidas 73 reclamações trabalhistas
contra engenhos e a Usina Tanques. Um fato inusitado, em função da então
incipiente democracia brasileira, e que gerou grande repercussão. Margarida
Alves passou a receber diversas ameaças. Eram “recomendações” para que ela
parasse de criar “caso” e deixasse de atuar no Sindicato dos Trabalhadores
Rurais. Um dia antes de morrer, Margarida Alves participou de um evento
público, no qual falou dos recados que vinha recebendo. Em seu último discurso,
registrado em fita cassete, Margarida denunciou as ameaças que vinha sofrendo e
disse que preferiria morrer lutando a morrer de fome.
Margarida
se tornou um símbolo de força, de garra, de coragem, de resistência e luta. Um
exemplo e um estímulo com grande força mobilizadora. Cada mulher trabalhadora
rural se inspira em Margarida Alves para resistir, lutar contra as formas de
discriminação e violência no campo, qualificar, mobilizar e participar das
lutas por igualdade de gênero, por justiça e paz no campo.